Você combinou o dia, avisou a escola, arrumou a mochila — e o pai não apareceu. De novo. Quando o acordo de convivência vira promessa quebrada, quem sente primeiro é a criança. Este texto explica o que você pode fazer legalmente quando o outro genitor descumpre as visitas fixadas pelo juiz, e qual reação evitar para que a situação não se volte contra você.
Meu ex não cumpre as visitas: o que posso fazer?
O acordo de convivência homologado pelo juiz vale como lei. Não é uma combinação informal que cada um cumpre quando tem vontade: é uma decisão judicial, e por isso você pode exigir o cumprimento. O caminho tem duas etapas — documentar cada falta e levar o descumprimento ao juiz. Para um panorama mais amplo, vale ler também o que a lei permite fazer quando o ex não cumpre as visitas.
A convivência é um direito do seu filho
Esse ponto muda a forma de encarar o problema. O regime de visitas não existe para agradar o pai nem para punir a mãe: ele existe para garantir o bem-estar da criança. A ausência repetida, portanto, não é só uma desfeita com você — é o direito do menor que está sendo descumprido, e é nesse fundamento que a Justiça se apoia para agir.
Guarde prova de cada falta
Antes de qualquer medida, documente. A Justiça exige provas concretas para punir o descumprimento: sem registro, sua palavra vira versão contra versão. Guarde tudo desde a primeira falta, mesmo que ainda não pretenda entrar com ação nenhuma.
- Prints do WhatsApp — o combinado, o cancelamento de última hora e também o silêncio (mensagem enviada, sem resposta).
- E-mails de cancelamento e qualquer aviso de que ele não vai buscar.
- Testemunhas — quem viu a criança arrumada esperando: uma vizinha, a avó, quem costuma entregar o filho.
- Boletim de ocorrência, se as faltas forem constantes, para registrar oficialmente o padrão.
Um caderno simples ajuda: data, horário combinado e o que ele disse. Meses depois, é esse histórico que transforma “ele nunca aparece” em prova organizada.
Ação de execução das visitas: o que o juiz pode determinar
Com as provas em mãos, um advogado entra com a Ação de Execução — o pedido para que o juiz faça valer o que já está decidido. Não é um processo novo discutindo guarda do zero: é a cobrança de um acordo que já existe. Entre as medidas que o juiz pode aplicar para forçar o respeito aos horários estão:
- Multas diárias: o pai paga um valor por cada visita perdida.
- Compensação de dias: a criança repõe o tempo perdido em datas futuras.
- Advertências: o juiz notifica o genitor sobre os riscos da conduta dele.
Quando o abandono é recorrente, o juiz pode ir além e mudar as regras: alterar a guarda ou reduzir os dias de visita. Se a sua dúvida também envolve o formato da guarda, veja como a guarda compartilhada funciona na prática. Acima de tudo, o foco da Justiça brasileira é a saúde mental e a segurança do seu filho — não o desconforto entre os adultos.
Enquanto o processo corre, não bloqueie a visita seguinte
Essa é a reação mais compreensível e também a mais arriscada. Por mais raiva que você sinta, jamais proíba a próxima visita como vingança. Impedir a convivência por conta própria pode ser interpretado como alienação parental, conduta com consequências jurídicas sérias — inclusive a alteração da guarda, agora contra você. O tema está detalhado em alienação parental e o bem-estar dos filhos. Mantenha a postura correta e deixe o processo resolver: o erro de um lado não justifica o erro do outro.
Tabela rápida: o que fazer em cada situação
| Situação | O que acontece | O que fazer |
|---|---|---|
| Ele cancelou uma vez e avisou antes | Um cancelamento isolado dificilmente sustenta uma ação sozinho | Salve a mensagem e observe se vira rotina |
| Marcou e não apareceu | A ausência sem aviso, repetida, vira prova de descumprimento | Registre data, horário e o silêncio dele |
| As faltas se repetem há meses | O acordo homologado está sendo descumprido | Reúna as provas e procure um advogado para a execução |
| Ele sumiu da convivência | O juiz pode rever o regime, inclusive guarda e dias de visita | Peça judicialmente o ajuste da convivência |
| Você pensa em bloquear a próxima visita | A conduta pode ser vista como alienação parental | Cumpra o combinado e resolva pela via judicial |
Como agir na prática, passo a passo
- Abra um registro hoje: cada visita combinada, cumprida ou perdida, com data e horário.
- Combine por escrito. Prefira WhatsApp ou e-mail — o que é falado não deixa rastro.
- Salve as provas fora do celular. Aparelho perdido ou conversa apagada custa caro depois.
- Continue cumprindo a sua parte, mantendo a criança disponível nos dias combinados.
- Proteja o filho do conflito: não comente as faltas com ele nem peça que escolha lado.
- Procure orientação jurídica quando o padrão se confirmar, levando o histórico organizado.
Conclusão: a lei tem ferramentas — e você não precisa revidar
Quando o pai não cumpre as visitas, você não está sem saída. O acordo homologado pode ser executado, e o juiz pode aplicar multa, determinar compensação de dias e até rever a guarda quando o abandono é recorrente. O que a lei não aceita é que você resolva sozinha bloqueando a convivência. Em resumo: documente, cumpra a sua parte e leve o problema ao juiz. O equilíbrio emocional da criança é a prioridade absoluta, e se as faltas do ex-parceiro estão bagunçando a rotina do seu filho, buscar ajuda jurídica para ajustar o regime de convivência é o caminho mais seguro.
Perguntas frequentes
Posso deixar de mandar meu filho porque o pai só aparece quando quer?
Não. Por mais injusto que pareça, impedir a visita por conta própria pode ser lido como alienação parental e se voltar contra você. O caminho é registrar as faltas dele e pedir ao juiz que faça valer o acordo.
Preciso de advogado para cobrar as visitas na Justiça?
Sim. A ação de execução é proposta por advogado, que reúne as provas do descumprimento e pede as medidas cabíveis ao juiz. Leve o histórico organizado: quanto mais concreto o registro, melhor o pedido.
Boletim de ocorrência serve para provar que ele não apareceu?
Ajuda, principalmente quando as faltas são constantes, porque cria um registro oficial e datado. Mas dificilmente basta sozinho: use junto com as mensagens trocadas, os e-mails de cancelamento e as testemunhas da espera.
Questões sobre guarda dos seus filhos?
Atuamos na definição de guarda compartilhada ou unilateral, regulamentação de visitas e alienação parental, sempre com foco no melhor interesse da criança.
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