Pensão Alimentícia Atrasada: Como Cobrar e Evitar Prisão

Todo mês é a mesma angústia: a data de pagamento passa, o valor não cai na conta e você não sabe se deve esperar mais um pouco ou já procurar um advogado. Enquanto isso, as contas da criança — escola, plano de saúde, alimentação — continuam vencendo normalmente. A boa notícia é que a Justiça brasileira trata o atraso de pensão alimentícia com bastante rigor, e existem caminhos rápidos para reaver o que é devido.

Pensão alimentícia é dívida com tratamento jurídico diferenciado

A pensão alimentícia não é uma dívida comum. Por se destinar à sobrevivência de quem recebe, a lei prevê mecanismos de cobrança muito mais severos do que os aplicados a uma dívida bancária ou de cartão de crédito, justamente para forçar o pagamento rápido.

Os dois caminhos para cobrar pensão atrasada

  • Execução por Penhora (Rito do art. 523 do CPC): usada normalmente para débitos mais antigos. O juiz determina a penhora de bens, salário ou contas bancárias do devedor para quitar o valor em aberto.
  • Execução por Prisão Civil (Rito do art. 528 do CPC): reservada às três últimas parcelas vencidas antes do pedido, mais as que vencerem no curso do processo. Aqui, o devedor é intimado a pagar, justificar a impossibilidade ou ser preso em regime fechado por até 3 meses.

O que acontece com quem simplesmente não paga

  • Inscrição em cadastros de inadimplentes: desde 2022, o juiz pode determinar a negativação do nome do devedor no SPC/Serasa.
  • Suspensão da CNH e do passaporte: medidas coercitivas previstas em lei para pressionar o pagamento sem precisar chegar à prisão.
  • Bloqueio via sistema bancário: o juiz pode determinar o bloqueio direto de valores em contas do devedor até o limite da dívida.

Ponto importante: a prisão civil por dívida de alimentos é uma das únicas exceções constitucionais à proibição de prisão por dívida no Brasil — o que mostra o peso que a lei dá a esse tipo de obrigação.

Como é calculado o valor da pensão em atraso

O valor cobrado não é apenas a soma das parcelas não pagas. Ele é atualizado por índice de correção monetária definido na sentença ou acordo, e ainda pode receber juros de mora, dependendo do que ficou estabelecido no processo original.

Tabela rápida: pensão alimentícia atrasada

SITUAÇÃO O QUE SE APLICA O QUE FAZER
Até 3 parcelas atrasadas Execução com risco de prisão civil (art. 528 do CPC) Ajuizar execução requerendo intimação sob pena de prisão
Débito acumulado há mais tempo Execução por penhora de bens e valores Ajuizar execução pelo rito de penhora (art. 523 do CPC)
Devedor sem emprego formal ou bens localizáveis Medidas coercitivas adicionais (CNH, passaporte, Serasa) Requerer ao juiz as medidas do art. 139, IV do CPC
Devedor alega não ter condições de pagar Ônus de provar a impossibilidade é do devedor Impugnar a justificativa apresentada no processo

Passos para cobrar a pensão alimentícia atrasada

  1. Reúna os comprovantes de não pagamento, como extratos bancários e a sentença ou acordo homologado que fixou o valor.
  2. Calcule o valor atualizado da dívida, incluindo correção monetária e juros previstos no título.
  3. Contrate um advogado especialista em Direito de Família para definir o rito de execução mais eficaz para o seu caso.
  4. Ajuíze a ação de execução de alimentos pedindo a intimação do devedor sob as penas cabíveis.
  5. Acompanhe o cumprimento e, se necessário, solicite as medidas coercitivas adicionais previstas em lei.

Vantagem de agir rápido: quanto antes a execução é ajuizada, maior a chance de localizar bens e valores do devedor antes que ele os movimente.

Conclusão: o atraso não precisa se tornar rotina

A lei brasileira dá ferramentas concretas para quem depende da pensão alimentícia e não pode esperar indefinidamente pelo pagamento. Para uma visão mais ampla sobre como o Judiciário trata temas de família e sustento de filhos, vale a leitura do conteúdo produzido pelo escritório Gabriel Bergamo Advocacia, referência no acompanhamento de casos dessa natureza.

Perguntas frequentes

Posso pedir a prisão do devedor mesmo se a dívida for antiga?

Não diretamente. O rito com risco de prisão civil se aplica apenas às três últimas parcelas vencidas antes do pedido e às que vencerem durante o processo. Dívidas mais antigas seguem pelo rito de penhora.

O que acontece se o devedor for preso e mesmo assim não pagar?

A prisão civil pode durar até 3 meses, mas não extingue a dívida. Ao ser solto, o devedor continua obrigado a quitar o valor em aberto, que pode ser cobrado por penhora.

É possível cobrar pensão alimentícia sem advogado?

Tecnicamente sim, em alguns casos com auxílio da Defensoria Pública, mas contar com um advogado agiliza a escolha do rito correto e o cálculo preciso da dívida atualizada.

O valor da pensão pode ser revisado durante a execução?

Sim. Mudanças na necessidade de quem recebe ou na possibilidade de quem paga podem justificar uma ação de revisão, que corre em paralelo à cobrança do que já está atrasado.

A pensão dos seus filhos está atrasada?

Ajuizamos a ação de execução de alimentos para cobrar o valor devido de forma rápida e dentro do rito mais eficaz para o seu caso.

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