Muitas mães vivem uma realidade exaustiva: o dia do pagamento da pensão chega, mas o valor depositado é menor do que o estabelecido pela Justiça. Frequentemente, esse descumprimento vem acompanhado de desculpas como “as coisas estão difíceis” ou “mês que vem eu compenso”.
No entanto, é fundamental que você saiba: pagamento parcial não é pagamento efetuado. Juridicamente, se o valor não caiu na conta de forma integral, o devedor está em situação de inadimplência.
O mito do “pelo menos ele pagou um pouco”
Existe uma crença comum de que, se o pai depositou qualquer quantia, ele se livra da prisão ou de processos. Isso é um erro grave. A sentença judicial que fixa a pensão alimentícia (ou o acordo homologado) tem força de lei entre as partes. O genitor não tem o poder de reduzir o valor por conta própria. Se ele alega que a situação financeira mudou, ele deve entrar com uma Ação Revisional de Alimentos. Enquanto não houver uma nova decisão do juiz, o valor antigo continua valendo e a diferença acumulada vira uma dívida executável.
As consequências legais para quem paga incompleto
Quando você decide buscar a justiça para cobrar o que falta, existem dois caminhos principais (ritos) que seu advogado pode seguir:
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Rito da Prisão (Art. 528 do CPC): Utilizado para cobrar as três últimas parcelas vencidas e as que vencerem no curso do processo. Se o pai não pagar a diferença total em 3 dias após a citação, o juiz pode decretar a prisão civil (regime fechado).
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Rito da Expropriação (Penhora): Ideal para dívidas mais antigas. Aqui, o foco é o patrimônio. A justiça pode bloquear contas bancárias (SISBAJUD), penhorar bens (carros, imóveis) e até reter o FGTS ou a restituição do Imposto de Renda para quitar o que é devido ao seu filho.
Gastos extraordinários e a base de cálculo
Um ponto que costuma gerar conflitos é a interpretação do que compõe a pensão. Muitas vezes, a decisão judicial prevê o pagamento de um valor fixo mais a metade das despesas extras (escola, saúde, farmácia).
Se o pai paga apenas a parte fixa e ignora os boletos extras, ele também está descumprindo a ordem judicial. Guardar as notas fiscais e comprovantes de pagamento dessas despesas é essencial para comprovar a dívida.
O impacto da “Pensão Picada” no dia a dia da mãe
Sabemos que a gestão do lar não espera. Aluguel, mercado e escola não aceitam pagamentos parciais. Quando o pai retém parte do valor, ele está transferindo toda a sobrecarga financeira para a mãe, o que configura, em muitos casos, uma forma de violência patrimonial.
A justiça brasileira tem sido cada vez mais rigorosa com o Abandono Material, entendendo que a pensão não é um “favor”, mas um direito fundamental à dignidade da criança.
Passo a passo para agir agora
Se você está cansada de promessas vazias, siga estes passos para regularizar a situação:
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Organize as provas: Tire extratos bancários dos últimos meses e circule os valores incompletos.
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Atualize o cálculo: O valor deve ser corrigido monetariamente. Um profissional especializado pode fazer essa planilha de débitos para você.
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Não aceite acordos verbais: Promessas de “pagar depois” raramente se cumprem sem pressão jurídica. O acordo oficial é sua única garantia real.
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Consulte um especialista: O Direito de Família possui detalhes técnicos (como prazos e ritos) que fazem toda a diferença na velocidade com que o dinheiro volta para a conta do seu filho.
O bem-estar do seu filho não pode ser negociado. O silêncio da mãe diante do pagamento incompleto costuma ser interpretado pelo devedor como uma “permissão” para continuar descumprindo a lei. Proteja o futuro de quem você ama: exija o cumprimento integral da pensão.


