União estável acaba quando um dos companheiros, ou os dois, decidem encerrar a convivência. Não importa se foi formalizada ou não — a dissolução precisa ser feita pra proteger direitos: partilha de bens, pensão, guarda dos filhos, e a segurança jurídica de cada parte.
Existem dois caminhos: extrajudicial (cartório) ou judicial. Vamos comparar.
Dissolução consensual em cartório (mais rápida)
Quando os companheiros concordam em todos os termos e não têm filhos menores ou incapazes, a dissolução pode ser feita em cartório de notas por escritura pública.
Requisitos
- Acordo total entre as partes (partilha, pensão entre cônjuges se houver)
- Sem filhos menores ou incapazes (ou todos já maiores e em acordo)
- Ambos capazes
- Advogado obrigatório, pelo menos um pra ambos ou um pra cada
Documentos necessários
- RG e CPF dos companheiros
- Comprovante de residência
- Certidão de nascimento ou casamento atualizada
- Escritura de união estável (se houver)
- Documentos dos bens a partilhar (matrículas, registros, extratos)
- Certidão de filhos comuns (se houver)
Prazo
De 5 a 15 dias úteis na maioria dos cartórios em BH, podendo ser menor se a documentação estiver pronta.
Custos
- Escritura pública: tabela do cartório, geralmente 1-2% do valor da partilha (mínimo de algumas centenas de reais)
- ITBI ou ITCMD: se houver transferência de imóveis
- Honorários advocatícios: tabela OAB ou negociação
Dissolução judicial (quando há litígio ou filhos menores)
A via judicial é obrigatória quando:
- Há filhos menores ou incapazes
- Não há acordo entre as partes
- A união estável precisa ser primeiro reconhecida
Procedimento
- Petição inicial pelo advogado
- Citação ou ciência do outro companheiro
- Audiência de conciliação (obrigatória)
- Fase de produção de provas (se litigioso)
- Sentença de dissolução, partilha, pensão e guarda
Prazos
- Consensual judicial: 1 a 4 meses
- Litigioso: 6 meses a 2 anos, dependendo da complexidade
Custos judiciais
- Custas processuais (geralmente 1% do valor da causa, com piso e teto por estado)
- Eventuais perícias (avaliação de bens, psicológica em disputa de guarda)
- Honorários advocatícios
Partilha de bens na dissolução
O regime padrão (comunhão parcial) divide meio a meio os bens adquiridos durante a união, exceto:
- Bens trazidos antes da união
- Heranças e doações recebidas durante a união
- Bens sub-rogados (compra de novo imóvel com o valor de um anterior particular)
Se houver contrato de convivência com outro regime, vale o que foi pactuado.
Pensão entre companheiros
Pode ser fixada em caso de:
- Comprovada necessidade de quem pede
- Comprovada capacidade de quem paga
- Geralmente temporária (período pra reorganização profissional)
O valor é fixado caso a caso, geralmente 15-30% da renda da parte mais favorecida.
Guarda e pensão dos filhos
Filhos têm os mesmos direitos independentemente de o casal ser casado ou em união estável. A dissolução define:
- Guarda: compartilhada (regra desde Lei 13.058/2014) ou unilateral
- Convivência: regulamentação do tempo com cada genitor
- Pensão alimentícia: para os filhos, conforme trinômio necessidade-possibilidade-proporcionalidade
União estável NÃO formalizada: o caminho duplo
Quando não há escritura ou contrato anterior, e o casal quer se separar, há duas situações:
Com acordo entre as partes
Pode-se fazer escritura de reconhecimento e dissolução simultâneos: o cartório registra que a união existiu e está dissolvida no mesmo ato. Mais simples e rápido.
Sem acordo
Aí é judicial. O juiz primeiro precisa reconhecer que houve união estável (com provas: testemunhas, documentos, fotos, etc.) e depois dissolver com a partilha. Pode levar meses.
Cuidados práticos durante a dissolução
- Não retire dinheiro de conta conjunta sem acordo
- Não venda bens unilateralmente
- Documente tudo: extratos, fotos do patrimônio, conversas
- Não saia de casa antes de orientação jurídica (pode afetar partilha e guarda)
- Evite postar nas redes sociais sobre o processo
Perguntas frequentes
Posso dissolver união estável em cartório com filhos menores?
Em geral, não — a presença de filhos menores ou incapazes obriga a via judicial. Há exceções recentes em algumas regiões via resolução do CNJ, mas a regra ampla ainda é judicial.
Tenho que registrar o fim da união estável?
Se a união tinha escritura, sim — averbar a dissolução no mesmo cartório onde foi feita a escritura é boa prática. Se não tinha registro, a escritura ou sentença de dissolução serve como prova do encerramento.
Quanto custa, no total, dissolver uma união estável?
Consensual sem bens: a partir de R$ 1.500 (cartório + advogado). Consensual com bens significativos: 2-4% do valor partilhado. Litigioso: pode passar de 10% do patrimônio, considerando perícias e tempo de processo.
Meu ex se nega a reconhecer que tivemos união estável. O que fazer?
Entrar com ação de reconhecimento de união estável post-mortem ou comum, dependendo do caso. Reúna provas: fotos, declarações de IR, contas conjuntas, testemunhas, redes sociais. O juiz analisa o conjunto pra decidir.
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